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domingo, 15 de janeiro de 2012

Antes do Big Bang


Mundo, mundo, velho mundo incompreendido. E incompreensível?
Universo, velho e grande universo, grande e velho universo inexplicado. E inexplicável?
E nós, ínfimos seres, ínfimos seres presunçosos. E imbecis?
Eu admiro e gosto do Marcelo porque ele consegue dizer coisas de ciência pura e normalmente incompreensíveis para o grande público, de formas razoavelmente palatáveis para nós outros, vis mortais.
Antes do Big Bang
"O que ocorreu no começo? Há duas escolas: uma afirma que o Universo, como uma bolha em uma sopa fervendo, surgiu de uma flutuação submicroscópica, e que só então, quando a energia dessa bolha espacial transformou-se em matéria, o tempo começou. Não existia um "antes" pois não existia mudança alguma para ser quantificada. Outra diz que o Universo é parte de um multiverso eterno, entidade em que todos os universos possíveis coexistem. O fascinante é que essa hipótese pode até ser verdadeira. Mas não sabemos como testá-la", escreve Marcelo Gleiser, professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA), em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 15-01-2012.
Divulgado no IHU – 15-01-2012
Eis o artigo.
Como escreveu Milan Kundera, "as únicas perguntas sérias são aquelas que até uma criança pode fazer". Dentro desse espírito, hoje olharemos para algumas dessas perguntas sobre o Universo.
O modelo do Big Bang usa observações para concluir que o Universo originou-se há 13,7 bilhões de anos e que vem se expandindo e esfriando desde então. Essa afirmação não é uma crença. Ela se baseia em evidências concretas. O princípio da ciência é "ver para crer" e não vice-versa.
Sabemos que o Universo está em expansão pois, ao medirmos a luz de galáxias distantes, vemos que ela é desviada em direção a maiores comprimentos de onda, como prevê o efeito Doppler. Imaginando a luz como uma onda (ou o fole de um acordeão), a expansão implica na maior separação entre os picos, causando mudanças na luz que é medida na Terra.
Essa expansão é uma dilatação do próprio espaço. Galáxias não são como os detritos de uma bomba que explodiu. Caso fossem, o Universo teria um centro onde tudo começou. Pelo contrário, todos os pontos no Cosmo são importantes, como na superfície de uma bola.
Imaginando as galáxias como moedas coladas à bola, quando ela infla, um observador em uma galáxia verá todas as outras afastando-se dele. Mas outros observadores em outras galáxias verão a mesma coisa: nenhum é mais central que os outros. Nosso Universo é assim, mas em três dimensões (a superfície da bola tem duas dimensões).
Mas se o Universo está se expandindo, o que há do lado de fora?
A confusão vem de vermos a expansão cósmica como uma bola imersa no espaço à sua volta. Vendo a superfície da bola como um Universo em duas dimensões, tudo o que existe é a superfície e nada mais: a bola infla e crescem as distâncias entre as moedas (as galáxias). Nada existe, ou precisa existir, do "lado de fora". O espaço nasce e cresce com a expansão.
A coisa é mais sutil pois, devido à velocidade da luz, só podemos ver até uma certa distância. Nosso "horizonte" chega a uns 42 bilhões de anos-luz, distância percorrida pela luz em 13,7 bilhões de anos. (Seriam 13,7 bilhões de anos-luz se o Universo não estivesse em expansão, mas a luz pega carona com a dilatação do espaço e viaja três vezes mais longe.) Portanto, pode haver bastante espaço "lá fora", além do horizonte, também em expansão.
Porém, ao voltarmos no tempo, a "bola" fica menor e as galáxias se apertam. O calor aumenta e a matéria se dissocia em seus constituintes básicos: de moléculas a átomos e, depois, outras partículas. Rapidamente, chegamos a uma época em que as energias estão além do que podemos testar em laboratório.
O que ocorreu no começo? Há duas escolas: uma afirma que o Universo, como uma bolha em uma sopa fervendo, surgiu de uma flutuação submicroscópica, e que só então, quando a energia dessa bolha espacial transformou-se em matéria, o tempo começou. Não existia um "antes" pois não existia mudança alguma para ser quantificada.
Outra diz que o Universo é parte de um multiverso eterno, entidade em que todos os universos possíveis coexistem. O fascinante é que essa hipótese pode até ser verdadeira. Mas não sabemos como testá-la.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

De novo, a crise. França confirma rebaixamento de 'nota' pela agência S&P


Essas tais agências de “rating” (nota de risco), agências reguladoras, FMIs, OMCs, etc, nada mais são do que “raposas cuidando do galinheiro”.
Entretanto, começam a se destacar e repetir - e esta matéria é apenas mais um exemplo - indicações cada vez mais fortes das contradições intrínsecas do sistema capitalista. É só prestar atenção no noticiário, mesmo o conservador. Todavia, não é necessário grande esforço para relembrar que há mais de um século e meio existiu um senhor de fartas barbas que já havia expressado, com clareza, que o sistema capitalista contém contradições intrínsecas muito evidentes. Elas continuaram, ao longo de vários séculos, a existir e exigir muitas manobras no sentido da manutenção do sistema. Todavia, tenho uma sedimentada convicção de que está chegada a hora da impossibilidade de novas “meias-solas”.
Essa discussão já está em trânsito e produzirá um embate de princípios, idéias e valores muito, muito forte. E poderá se tornar até muito feroz. 
Aliás, é o que tenho anunciado já há algum tempo e estou esperando acontecer a qualquer momento!

Folha de São Paulo - Da EFE – Paris
Atualizado: 13/01/2012 - 17h27
O ministro francês da Economia, François Baroin, confirmou nesta sexta-feira que houve o rebaixamento da "nota" de risco pela agência Standard & Poor´s, de "AAA" (a nota máxima) para "AA+" (a segunda melhor).
Baroin declarou que o país recebeu a comunicação da agência "igual aos outros países europeus", sem precisar quais. O ministro, que esteve reunido com o presidente francês Nicolas Sarkozy, contestou que o governo prepara um novo plano de austeridade fiscal ante a notícia.
A agência France Presse, citando uma fonte governamental anônima, acrescentou que, além da França, a Aústria também deve ter sua nota "AAA" rebaixada, possivelmente também para "AA+".
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Primavera Árabe de 2012: mais tempestades do que flores

“E serão as forças do Ocidente, principalmente os EUA, que definirão a velocidade da democratização e a reconquista da dignidade do mundo árabe. Mas, apenas se for conveniente ao seu próprio projeto”. 
Se, como conclui o artigo, é isso que deve ocorrer podemos esquecer! Porque, obviamente, não convém a qualquer projeto, não apenas norte-americano, mas de todo o mundo do capitalismo dito central.
A relação do Ocidente com o Oriente Médio é antiga e sempre teve como base os interesses da Europa e, mais recentemente, dos EUA. 2012 será de grande complexidade para a região. Salvo melhor juízo, será menos “primavera” e mais “outono”, repleto de tempestades.
O artigo é de Mohamed Habib. Professor da UNICAMP e Vice-presidente do Instituto de Cultura Árabe (ICArabe)
A matéria foi publicada na Carta Maior – 13-01-2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Prenúncio de crise no Fórum Econômico em Davos?

Pela primeira vez em muitas gerações já não se acredita que as crianças terão melhores condições de vida.
FEM: diferença entre ricos e pobres alimenta o ressentimento mundial
·      Corre-se o risco descarrilar o avanço da globalização, adverte o Fórum antes da reunião em Davos.
·      Insustentáveis dívidas públicas ameaçam a economia mundial
Notícia: Reuters - Londres,11-01-2012
Publicação: Jornal La Jornada – México – 12-01-2012.
Tradução: Luiz Carlos Correa Soares
Reprodução: IHU Notícias
O crescente mal-estar causado por altos níveis de desigualdade e evidenciado por movimentos como o ocupa Wall Street ou a primavera árabe, pode produzir o descarrilar do processo da globalização e ameaçar as economias globais, indicou o Fórum Econômico Mundial (FEM ) em seu informe Global Risks 2012.
As grandes disparidades de renda e as fracas finanças públicas foram colocadas como as principais ameaças econômicas que o planeta enfrenta, de acordo com relatório 2012 sobre os riscos globais, divulgado quarta-feira pelo Fórum.
O documento de 60 páginas foi divulgado duas semanas antes da reunião anual que se realiza no centro de esqui de Davos-Klosters, na Suíça e desenha um quadro desolador frente a um mundo cada vez mais incerto.
Nas últimas quatro décadas o encontro de Davos, que reúne políticos, empresários e economistas mais influentes do mundo [econômico], tornou-se sinônimo de globalização.
O crescente desemprego dos jovens, os problemas que enfrentam os aposentados para se aposentarem em situações de endividamento e uma profunda fenda na sua renda, semeou as sementes de uma anti-utopia, assinala o relatório, com base em uma pesquisa entre 469 especialistas e líderes industriais.
“Pela primeira vez em gerações, as pessoas já não acreditam que seus filhos terão um melhor padrão de vida. Esta nova sensação de desconforto é particularmente aguda nos países industrializados, que historicamente têm sido fonte de grande confiança e idéias ousadas”, acrescenta o documento.
“Isto precisa de atenção política imediata, caso contrário a retórica política que responde a esta agitação social gerará nacionalismos, protecionismos e um retrocesso no processo de globalização”, assegurou o diretor do Fórum, Lee Howell.
O texto salienta que o fosso crescente entre ricos e pobres está alimentando o ressentimento global.
Os níveis insustentáveis ​​da dívida pública em muitos países já tinham sido mencionados como uma importante ameaça nos dois relatórios anteriores do Fórum, sobre os riscos mundiais. A natureza crônica dos desequilíbrios fiscais faz com que este assunto siga no centro dos debates, também de acordo com o Fórum.
A sétima edição do estudo indicou que os desequilíbrios fiscais crônicos e graves disparidades de renda são os principais riscos que vão dominar os próximos 10 anos na economia global. O primeiro, de acordo com o informe, ameaça o crescimento global, porque esses riscos são condutores de nacionalismo, populismo e protecionismo, num momento em que o mundo está vulnerável a choques sistêmicos financeiros, bem como possíveis crises de alimentos e de água.
O texto descreve 50 riscos globais agrupadas em diversas categorias: econômicos, ambientais, sociais, geopolíticos e tecnológicos. Em cada uma das categorias se percebe o risco sistêmico mais importante e também se destacam os fatores X, que dizem respeito às preocupações emergentes que devem ser investigadas em profundidade. Os três casos de risco e de fatores X serão o foco de atenção em sessões especiais na próxima reunião.
O relatório destaca duas tendências: a primeira se refere a dúvidas sobre a capacidade de enfrentar os riscos derivados das tecnologias emergentes, a interdependência financeira e a mudança climática. A segunda se relaciona com o crime cibernético que engloba o crescente mercado de smartphones e o acesso à Internet. “A primavera árabe demonstrou o poder que os serviços de comunicação em rede têm para avançar na liberdade pessoal; entretanto, a mesma tecnologia atuou a serviço dos tumultos em Londres”, opinou Steve Wilson, diretor de riscos da General Insurance, em Zurique.
Desde o último encontro em Davos, a crise da eurozona se espalhou e se aprofundou, forçando mudanças de governo na Grécia e na Itália. Os Estados Unidos tão pouco têm se saído muito melhor já que em agosto passado a agência Standard & Poors retirou-lhe a qualificação de dívida AAA, devido à sua delicada situação fiscal.
Com tal panorama, neste ano o Fórum de Davos dará mais atenção do que nunca para as falhas da economia de mercado, incluindo discussões sobre o futuro do capitalismo, tema que era deixado de lado nos anos anteriores à crise financeira.

BNDES anuncia R$ 4 bilhões para canaviais

Tentando traduzir o economês da matéria – coisa difícil para nós, vis mortais - cabe destacar questões financeiras, políticas e estratégicas, que não podem ficar subalternas, periféricas ou no limbo.
1. Os números significam que 20 mi vão para taxas de intermediação, outros xx mi são negociados com o agente repassador (o que é isso?). Mais 36 mi  (ou 52 mi) vão para a remuneração do banco de fomento (BNDES?). Todo esse “ervário” não produz um só pé de cana!
2. Mais quanto acabará indo - pelos meandros e interstícios do “mercado” financeiro - para a aquisição de títulos do governo, ao dobro da taxa de empréstimo?
3. Tudo isso subtraído, quanto sobrará para ser aplicado efetivamente no objeto – tido como real e necessário - do programa?
4. Por que e para que continuar plantando mais cana e produzindo mais álcool  para exportação?
Bem, esta é fácil de responder: é para transferir renda nacional para o mercado financeiro, ganancioso e especulador. Tanto o internacional como o nacional.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou novo programa para incentivar a produção de cana-de-açúcar por meio de financiamentos à renovação e à ampliação de canaviais no país.
A reportagem é de Rafael Rosas e publicada pelo jornal Valor, 12-01-2012. Publicado no IHU Notícias da mesma data.
O BNDES Prorenova, como foi batizado, tem orçamento de R$ 4 bilhões e vigência até 31 de dezembro deste ano. Segundo o banco, espera-se que os recursos possam financiar a renovação e/ou ampliação de mais de 1 milhão de hectares de cana-de-açúcar
Com o aumento da disponibilidade de matéria-prima, a expectativa é que a produção de etanol aumente de 2 bilhões a 4 bilhões de litros entre 2013 e 2014, o que representaria um aumento de mais de 10% em relação à safra atual
As operações serão indiretas e, para as empresas médias-grandes e grandes, aquelas com receita operacional bruta igual ou superior a R$ 90 milhões, a taxa de juros é composta de taxa de juros de longo prazo (TJLP), atualmente em 6% ao ano, mais 1,3% de remuneração básica do BNDES. Há ainda a taxa de intermediação financeira de 0,5% e a remuneração do agente repassador, negociada entre este e o beneficiário
O programa terá participação máxima do BNDES de até 80% dos itens financiáveis. O prazo total está limitado a 72 meses, incluindo carência de, no máximo, 18 meses.
Para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) já existe apoio via BNDES Automático para operações abaixo de R$ 20 milhões com condições mais vantajosas. Nesse caso, a remuneração básica do banco de fomento é de 0,9%.

O primeiro ano da presidente Dilma Rousseff foi contraditório, afirmam movimentos sociais

Com um pedido, a priori, de escusas pela metáfora grosseira e tomando como referência as atividades do ferreiro – uma adaptação do famoso dito popular – faço a seguinte comparação entre os governos FHC, Lula e Dilma. Com as devidas concessões para as diferenças em tempo dos mandatos. Considerando as pancadas no sentido de ações que favorecem ou protegem, teríamos as seguintes proporções:
No cravo (sistema vigente): FHC = 3; Lula = 3; Dilma = 2
Na ferradura (sociedade): FHC =-4; Lula = -2; Dilma =-1
Publicação IHU – 11-01-2012
O primeiro ano da presidente Dilma Rousseff foi contraditório, afirmam movimentos sociais
Para CUT, UNE e MST, presidente Dilma Rousseff manteve-se distante em seu primeiro ano de mandato. Mais identificadas com estilo Lula, entidades queixam-se de perda de influência em decisões do governo, política econômica contraditória e falta de reforma agrária. Secretario Geral da Presidência evitou mal maior. Sem pressão constante, acham que situação não muda. 
A reportagem é de Najla Passos e publicada pela Agência Carta Maior, 10-01-2012.
O primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff foi contraditório, para três dos principais movimentos sociais brasileiros. Embora problemas de relacionamento com Dilma, que tem um estilo bem diferente do "companheiro" Lula, tenham sido contornados pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o tempo de resposta às reivindicações deixou muito a desejar. Compromissos assumidos não teriam saído do papel, enquanto o empresariado arrancava concessões. Se não houver pressão, 2012 corre os mesmos riscos.
“O debate sobre a situação macroeconômica permeou todas as discussões. E, para nosso espanto, o governo adotou uma postura mais conservadora perante a crise, pautada pelos grandes veículos de comunicação”, avalia o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Uma crítica ao modelo desenvolvimentista adotado pelos governos populares da América Latina

Pode ser que muitos dos poucos "acessadores" (não confundir com assessores e, caso não exista o vocábulo, eu acabo de criá-lo...) a este modesto e despretensioso Blog achem uma chatice a leitura do texto abaixo. Respeito imensamente isso, mas achei a matéria muito interessante e profunda. Além disso, bate com uma porção de idéias que tenho estado desenvolvendo. Por exemplo, na matéria sobre decrescimento que foi publicada no jornal O Engenheiro, do Senge-PR e também neste Blog. Gostaria de conhecer melhor a entrevistada. Vou guardar esse nome.
São interessantes também algumas matérias correlatas, anotadas também na publicação do IHU Notícias, de 11-01-2012.
Uma crítica ao modelo desenvolvimentista adotado pelos governos populares da América Latina
"Um bloco mais sensível ao bem estar, mas que não consegue pensar a possibilidade de uma transformação, de uma melhoria na situação do nosso país fora do projeto eurocêntrico. Não há uma ruptura. Ficamos ofuscados porque são governos de esquerda, mas essa novidade não é muito profunda. Entraram para competir, participar da concorrência para emergir como bloco dentro dos mesmos princípios e balizas do capitalismo global". A afirmação é da antropóloga Rita Segato em entrevista ao Brasil de Fato, 10-01-2012,
Rita Segato é professora da Universidade de Brasília (UNB) e na entrevista faz profundas críticas ao modelo de desenvolvimento adotado pelos governos populares eleitos na América Latina e cita o Suma Kawsay como alternativa. 
Rita Segato conhece de perto a realidade dos povos indígenas das Américas. Sua prática antropológica sempre se desloca ao encontro do outro e rechaça contatos antissépticos. Talvez por isso, somada à capacidade de relacionar temas e perspectivas teóricas, Rita hoje tenha grandes contribuições aos discursos construídos sobre o Bem Viver – que ela chama de Bom Viver – no Brasil.
Eis a entrevista.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ala do PT do Paraná defende ida de Paulo Bernardo para Itaipu

É claro que Paulo Bernardo tem "missões e metas a cumprir" em seu atual cargo. Tem a banda larga ou mais larga; tem a disputa entre as operadoras, no come-come tradicional do sistema capitalista; tem a infovia básica “estatal”, com a estrutura física a ser construída com recurso público para, depois, ser entregue à operação privada. Traduzindo: como sempre, o osso é público, o filé é privado. Aliás, a mídia pouco ou nada tem falado sobre essas coisas.
Publicação do IHU Notícias - 10-01-2012
Ala do PT do Paraná defende ida de Paulo Bernardo para Itaipu
Com o fim das férias da presidente Dilma Rousseff, retorna à pauta do Palácio do Planalto a reforma ministerial programada para este mês. No fim do ano passado, a própria presidente alertou que as mudanças decepcionariam aqueles que esperam uma ampla reforma no primeiro escalão do governo. Se depender do PT e dos partidos aliados, porém, a renovação do gabinete não será tão acanhada. Nos últimos dias, a Pasta que entrou na mira foi o Ministério das Comunicações, atualmente comandado pelo ministro Paulo Bernardo (PT).
A reportagem é de Raymundo Costa e Fernando Exman e publicada pelo jornal Valor, 10-01-2011.
A idéia de uma ala do PT paranaense é deslocar Paulo Bernardo para a diretoria-geral da usina hidrelétrica de Itaipu no lugar de Jorge Samek, que transferiu seu domicílio eleitoral para Foz do Iguaçu e aguarda uma decisão de Dilma para lançar-se à disputa pela prefeitura do município. O plano, se levado adiante, reforçaria a presença do partido no Paraná e daria à presidente mais uma carta para manejar, caso Dilma agora decida promover uma dança das cadeiras menos limitada.
O recado já foi enviado ao Palácio do Planalto. Integrantes do grupo político de Paulo Bernardo trataram do assunto com o ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. E também chegou aos ouvidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O movimento mundial dos indignados da Terra começou com os zapatistas

O movimento zapatista sempre produziu reflexos não apenas nas demandas do México, mas também de outras partes do mundo. Nas palavras do seu líder, o subcomandante insurgente Marcos – é assim que ele assina -, “o mérito do EZLN é ter encontrado a frequência de comunicação capaz de produzir esse reflexo amplo”.
Por isso faz muito sentido a afirmação do título da matéria aqui reproduzida.

A publicação é do IHU Notícias, 09-01-2012


''O movimento mundial dos indignados da Terra começou com os zapatistas''

Dois dos intelectuais mais renomados do México, Luis Villoro e Pablo González Casanova, fiéis à sua convicção zapatista, saudaram a luta do EZLN [Exército Zapatista de Libertação Nacional] em seu 18º aniversário e, embora ambos não pudessem estar fisicamente por motivos de saúde, enviaram sua participação ao II Seminário Internacional de Reflexão e Análise: "Planeta Terra: Movimentos Antissistêmicos".

A reportagem é de Alejandro González Ledesma e Marcela Salas Cassani, publicada no sítio Desinformemonos.org. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O filósofo Luis Villoro, com quem o subcomandante Marcos recentemente manteve um intercâmbio de cartas sobre Ética e Política, felicitou "os companheiros zapatistas" pelo aniversário de sua insurreição, "esperando que as profecias maias nos surpreendam de forma positiva".

Por sua parte, Pablo González, sociólogo e ex-reitor da UNAM, assinalou em uma conferência enviada especialmente para o encontro: "Pensemos na imensa mobilização dos indignados e dos 'ocupas' que lutam por outro mundo possível. Hoje – escrevem admirados dois professores ingleses –, a mobilização é gigantesca. Nunca se haviam dado conta dessa magnitude, e toda a mobilização começou (acrescentam) nas selvas de Chiapas com princípios de inclusão e de diálogo".

González Casanova acrescentou que "serão cada vez mais aqueles que, no mundo inteiro, lutam pelo que, em 1994, parecia ser apenas uma 'rebelião indígena pós-moderna'".

Fusões batem recorde no setor de educação

Como diz o Zé Ramalho: “He, he, vida de gado; povo marcado, he, povo feliz”...
A marcação já vem de baixo, desde a educação e a formação. Passa pela informação, pela cultura, pelo trabalho e vai por aí a fora.
Como não ser um povo marcado, com o ensino na mão de grupos empresariais, estrito senso. Ou seja, que visam apenas o "negócio", o lucro e a acumulação capitalista.
Publicação IHU Notícias - 09-01-2012
O movimento de fusões e aquisições no setor de ensino privado bateu recorde no ano passado. Só as operações - cerca de 20 - realizadas por quatro empresas de capital aberto movimentaram R$ 2,4 bilhões. No total, ocorreram 27 transações, mas não há dados precisos sobre as que envolveram instituições menores e de capital fechado. Nunca houve um valor tão alto no país, pelo menos desde 2007, quando os grandes grupos de ensino começaram a abrir seu capital e passaram a tornar públicas suas contas. Em 2012, o setor deve continuar registrando negócios, porque existe ainda espaço para consolidação no ensino fundamental e médio, afirma Luís Motta, sócio da KPMG.
A reportagem é de Beth Koike e Luciano Máximo e publicada pelo jornal Valor, 09-01-2012.

O valor recorde de transações foi puxado pela mineira Kroton, que comprou por R$ 1,3 bilhão a Universidade do Norte do Paraná (Unopar), líder no segmento de ensino a distância. Essa foi a maior operação já fechada no setor de educação no país. Outro grande negócio foi a compra da Uniban, de São Paulo, pela Anhanguera, por R$ 510 milhões. A Anhanguera é o maior grupo de ensino do país, com 292 mil alunos. A Kroton, vice-líder, tem 264 mil. O mercado nacional de educação superior tem 5,3 milhões de alunos, sendo 75% em faculdades particulares. A movimentação no setor também foi motivada pela retomada dos investimentos da britânica Pearson e da brasileira Abril Educação.