Boas vindas

BEM VINDO A ESTE SINGELO ESPAÇO DE DEBATES!

domingo, 13 de janeiro de 2013

QUE PAÍS É ESSE?!

Comentários/opinião

Que país, que sociedade e quais sistemas de Estado são esses?

Trata-se de um dos países mais bem aquinhoados pela Natureza no planeta e de um povo alegre, trabalhador, amistoso e hospitaleiro, os quais não merecem sistemas de Estado – em todos os seus níveis e instâncias -  tão deprimentes, como está mostrado nos exemplos abaixo.

Todavia, é de se perguntar: “mas não é esse povo que escolhe e constroi esses sistemas?”.  

Não, não é “esse povo”, do modo descrito acima. São as forças do submundo do poder real vigente no Brasil que escolhe e, por muitos modos e formas, impõe a escolha, mediante absurdos processos de um simulacro de democracia.

Duas estruturas básicas para essa situação são os sistemas de (de)formação – equivocadamente denominada educação - e de (des)informação – equivocadamente denominada meios de comunicação. Obviamente, existem outras estruturas contribuintes, mas essas duas são as fundamentais.

Em 2012, Câmara teve mais projetos de lei para fazer homenagens do que para educação ou saúde

Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília
No ano passado, os deputados federais apresentaram mais projetos de lei com propostas de homenagens do que em importantes áreas sociais, como educação ou saúde.
De um total de 1.653 projetos, 106 sugerem a criação de datas comemorativas, mudanças de nome de trechos de rodovia, viadutos e aeroportos ou a concessão do título de "capital nacional" de alguma coisa para municípios. Os números do que contemplam as áreas de educação e saúde foram menores: 94 e 95, respectivamente.
O tema que mais recebeu atenção dos parlamentares foi relativo ao setor do trabalho e emprego (137 projetos de lei). Em seguida, aparecem propostas nas áreas de desenvolvimento urbano e trânsito (124), administração pública (123), tributação (118) e direitos humanos (114). Veja tabela completa no final.
Sem nunca ter lido um livro 'grande', Leandro, do KLB, estreia na Assembleia [Legislativa de São Paulo]
Laura Mattos - Editora da “Folhinha”
Ele nunca leu um "livro grande" e não entende de política. É do PSD, o partido de Kassab, mas o que importa mesmo são outras três letras. "Sigla para mim é só KLB."
Em 1º de fevereiro assume, ou melhor, estreia na Assembleia Legislativa de São Paulo o deputado estadual Leandro do KLB, 30 anos.
Na eleição de 2010, Leandro Finato Scornavacca recebeu pouco mais de 62 mil votos. Ele chega ao cargo depois que o titular, Ary Fossen (PSDB), morreu e outros três suplentes renunciaram para assumir prefeituras do Estado.
Tomou posse no último dia 3 e foi clicado pela imprensa com um estranho visual: terno e gravata. "Vou ter que usar só no plenário. Fora, pode roupa normal", conta.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Maioria indígena aprova projeto de estrada transamazônica na Bolívia, aponta consulta


Comentários/opinião
Eis um significativo exemplo de princípios simples de democracia e de respeito a valores humanos e sociais. Para coroar o processo faltaria apenas levar em conta outro principio simples: os processos de transformação da natureza normalmente conduzem a algum tipo de dor, a dor do parto, em sentido amplo e genérico. A questão fundamental é: para que serve, quem se apropria dos seus resultados e qual o seu custo, este também em amplo sentido.
Isso posto, a conclusão se torna óbvia: sempre é possível encontrar formas  racionais e lógicas de produzir e conduzir o progresso, qualquer tipo de progresso.
Maioria indígena aprova projeto de estrada transamazônica na Bolívia, aponta consulta
Será que os índios da Amazônia boliviana querem um megaprojeto de rodovia no meio de seu território? É o que afirmam os resultados da consulta popular realizada pelo Supremo Tribunal Eleitoral boliviano junto aos habitantes da reserva nacional Isiboro Secure, uma região de 1 milhão de hectares de floresta primária, mais conhecida pelo nome de TIPNIS. "Das 58 comunidades consultadas, três delas rejeitaram o projeto da estrada", explicou Juan Carlos Pinto, um dos membros do Tribunal Eleitoral, durante a apresentação oficial do relatório, na última segunda-feira (7).
A reportagem é de Chrystelle Barbier, publicada no jornal Le Monde e reproduzida pelo Portal Uol, 10-01-2013.
No entanto, esses resultados podem não resolver o conflito que ocorre há meses entre o presidente socialista Evo Morales e os povos indígenas da Amazônia, sobre a questão dessa estrada transamazônica de 306 quilômetros, sendo 177 em terras indígenas.
Onze das 69 comunidades do TIPNIS se recusaram a participar da consulta.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Risco de racionamento de energia faz Dilma convocar setor elétrico


Comentários/opinião
Lamento insistir, mas se trata da mesma causa-máter, com suas sub-causas e consequências, estas também se tornando causas de outras consequências e assim por diante. ´Ad infinitum´.
Mãe das causas: a ganância desenfreada, a qualquer preço e a qualquer custo. Sub-causas: 01 – um país sem projeto próprio de destino; 02 - falta de qualquer planejamento por duas décadas; 03 - planejamento e marcos regulatórios atuais com privilégios para garantias de contratos leoninos e prevalência de interesses não nacionais nem sociais; 04 – controles feitos para não controlar. E assim por diante.
O que se pode e deve esperar de um sistema como esse? Seguramente, é o que se está vendo e se irá ver, a continuar no rumo e na trajetória que o país segue a largo tempo, sem soberania nem prioridades para seu povo.
Risco de racionamento de energia faz Dilma convocar setor elétrico
UOL/FSP – 05-01-2013 – Eliane Castanhede – de Brasília
Dez dias depois de dizer que é "ridículo" falar em racionamento de energia, a presidente Dilma Rousseff convocou reunião de emergência sobre os baixos níveis dos reservatórios, para depois de amanhã, em Brasília.
A reunião foi acertada entre Dilma, durante suas férias no Nordeste, e o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, que a presidirá. Balanço e propostas serão levadas diretamente à presidente.
Dirigentes de órgãos do setor tiveram de cancelar compromissos para comparecer.
Na avaliação do governo, os níveis dos reservatórios estão até 62% abaixo dos registrados no ano passado e a situação tem piorado por causa do intenso calor, sobretudo no Sudeste.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

EIKE BATISTA É O BILIONÁRIO QUE MAIS PERDEU DINHEIRO EM 2012, SEGUNDO A BLOOMBERG


Comentários/opinião
Parece que a notícia ajuda a confirmar duas afirmações muito divulgadas, uma no cotidiano popular e outra, nas rodas de intelectuais.  1 – “o que é mal ganho é mal gasto” e 2 – “tudo que é sólido se desmancha no ar”, ao que se poderia acrescentar: “tanto mais o que não é sólido”.
A própria matéria já traz algumas justificativas, ao destacar que ele tem feito promessas e não tem cumprido, restando apenas suas tão decantadas basófias, que a mídia lambe-botas tanto adora.
Na realidade, a fortuna do Eike tem sido construída sobre algumas bases sólidas e outras bases falsas. Por um lado, a sua inegável inteligência e, mais do que isso, a sua "expertise" ( no vulgo, "esperteza"); as facilidades de trânsito nos caminhos do poder, herdadas de seu pai; a construção de um sólido acervo de saberes sobre petróleo, obtido dos fantásticos conhecimentos desenvolvidos pela Petrobrás. Por outro lado, o jogo no fogo fátuo das bolsas de valores, ou seja, a construção fictícia de valores sem valor real, submissos ao sabor dos ventos do tal “mercado”.
Tudo isso tem muitas as razões para não dar – e não tem dado – certo o tempo todo. Um dia, acaba. E esse dia, o do fim do fogo fátuo, chegará. Em definitivo!
O empresário Eike Batista é o bilionário que mais perdeu dinheiro no ano passado, segundo a classificação da"Bloomberg".
A publicação, que divulga a lista diariamente, diz que o empresário registrou uma perda de US$ 10,1 bilhões em 2012.
O empresário ocupa atualmente a 75º posição de homem mais rico do mundo, com um patrimônio líquido de US$ 12,4 bilhões. Em 27 de março de 2012,  ele ocupava o 8 º lugar no índice da Bloomberg, com  US$ 34,5 bilhões.
"O próximo ano vai ser de muito trabalho para Eike", disse à Bloomberg Lucas Brendler, do Banco Geração Futuro de Investimentos, em Porto Alegre. "Vai ser um ano para ele recuperar a confiança dos investidores e deixar o reino da teoria e começar a produzir resultados".
Em novembro, Eike perdeu a posição de pessoa mais rica do Brasil para o Jorge Paulo Lemann, um dos donos da Ab InBev, maior cervejaria do mundo e dona da Ambev, que detém uma fortuna de US$ 18,8 bilhões; e para Dirce Camargo, do conglomerado Camargo Corrêa, com fortuna de US$ 13,4 bilhões.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dezenas de milhares de zapatistas ocupam pacificamente e em ensurdecedor silêncio cinco cidades chiapenecas


Comentários/opinião
Oba! Viva! Viva!
Após 16 longos anos, o movimento zapatista do EZLN continua vivo. Não morreu e, muito menos, foi sepultado!
E o Subcomandante Insurgente Marcos, como ele se autodenomina, também não!
E a luta pelas liberdades e os direitos humanos dos povos oprimidos, também não!
A divulgação é do IHU Notícias, 02-01-2013.

Dezenas de milhares de zapatistas ocupam pacificamente e em ensurdecedor silêncio cinco cidades chiapenecas

No dia 17 de novembro de 2012, o sítio Enlace Zapatista anunciava o pronunciamento próximo da comandância geral, da comissão sexta e da zezta internacional do Exército Zapatista de Libertação Nacional. Esperava-se algum comunicado, mas poucos imaginavam o que realmente aconteceu.
A reportagem está publicada no sítio mexicano DesInformémonos, 23-12-2012. A tradução é do Cepat.
Em uma ação massiva, disciplinada e simultânea, não vista desde os dias do levantamento insurgente de 1994, dezenas de milhares de zapatistas ocuparam pacificamente e num silêncio ensurdecedor cinco cidades chiapanecas. Horas mais tarde, leram um breve comunicado.
Dezenas de milhares de bases de apoio do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) ocuparam, em emblemático silêncio, as ruas de cinco municípios de Chiapas, na primeira manifestação pública que os zapatistas fazem desde o dia 07 de maio de 2011, quando se uniram à convocatória do Movimento pela Paz com Justiça e Dignidade. Esta ação simultânea e massiva, a maior de toda a sua história, foi precedida pelo anúncio de que a organização indígena daria sua palavra, publicada horas depois da mobilização.
“A quem possa interessar. Ouviram? É o estrondo de seu mundo caindo. É o nosso ressurgindo. O dia que foi o dia, era noite. E noite será o dia que será o dia”, foi a mensagem assinada pelo Subcomandante Marcos e divulgado horas depois através do sítio Enlace Zapatista.

Após seis apagões em 4 meses, setor de energia tem 'vistoria-surpresa'


Comentários/opinião
Ufa, até que em fim!
Já não era sem tempo de, pelo menos, começar a botar ordem no galinheiro do sistema elétrico brasileiro que foi privatizado, de um modo tão vergonhoso, irresponsável e prejudicial aos interesses da nação. Ou seja, o resultado da prioridade dada ao “negócio” da energia, como tudo o mais no neoliberalismo tupiniquim dos anos 90 e que ainda perdura de modo muito forte nos dias de hoje.
Por isso, é claro que se trata de uma morte anunciada. Quem ainda tiver dúvidas, consulte análises criticas de muita gente de gabarito indiscutível como Pinguelli Rosa, Ildo Sauer, Roberto d´Araujo e outros. E, modestamente, também deste insignificante ser que vos fala...
Do d´Araujo, continuo a destacar e recomendar o “Setor Elétrico Brasileiro - Uma Aventura Mercantil”, um dos livros produzidos no Confea pelo projeto “Pensar Brasil”, de saudosa memória. Pelo menos minha, do Clovis, do Bubach, e do Grafite... Ou seja, dos ex-coordenadores do "ex-projeto"...
Após seis apagões em 4 meses, setor de energia tem 'vistoria-surpresa'
Julia Borba – de Brasília
As empresas do setor elétrico passam por "vistorias-surpresas" para avaliar o funcionamento dos sistemas e a manutenção dos equipamentos. A ordem é da presidente Dilma, que pretende limitar ao máximo as chances de um novo apagão no país.
A orientação do Planalto foi dada ao Ministério de Minas e Energia, responsável por coordenar as vistorias.
Desde setembro, quando Dilma anunciou que haveria um corte médio de 20% nas tarifas de energia aos consumidores a partir deste ano, ocorreram seis blecautes de grandes proporções em diversos Estados brasileiros.
O mais recente, no mês passado, deixou sem energia cidades de Rondônia, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais por pouco mais de uma hora.

domingo, 30 de dezembro de 2012

MENSAGEM ESPECIAL DE FINAL/INÍCIO DE ANO


MENSAGEM ESPECIAL DE FINAL/INÍCIO DE ANO

Comp@s [= companheiros leitores e companheiras leitoras]

Este despretensioso Blog, criado ao apagar das luzes de 2011, completa seu primeiro aninho de existência e apresenta o seguinte desempenho estatístico:
- 231 postagens classificadas em 14 temas. (Ressalve-se que no segundo semestre de 2012 andou meio devagar, quase parando, em razão de muitas atividades profissionais).
- A postagem campeã de acessos foi “Afinal, o Brasil tem jeito?”, em 16/02/2012, que focava o corte de verbas federais. A segunda (18/01/2012) e a terceira (07/02/212) – que somadas igualaram a primeira - tinham como tema os profissionais estrangeiros. A postagem de hoje, sobre o mesmo tema, ainda não foi considerada.
- 4.700 acessos espalhados pelo mundo, sendo os principais países: Brasil (3.215), Rússia (667), Alemanha (331) e EUA (231). Acho que isso demonstra a existência de muitos brasileiros atentos, por aí a fora... E talvez não apenas brasileiros...
- 10 navegadores e uso de 10 sistemas operacionais.
Pretensiosamente, entendo que meu blog passou no teste. E, humildemente, acho que devo continuar com ele, dentro de minhas modestas competências e atual reduzida disponibilidade de tempo.

FELIZ 2013!!!

Brasil prepara plano para ampliar mão de obra estrangeira


Comentários/opinião
Mais um modismo e uma onda, coisas muito comuns no Brasil, um país que não tem projeto de destino e vive aos trancos e barrancos, caudatário dos dominantes, sem soberania e sem vergonha de ser subalterno aos comandos dos interesses estranhos aos seus interesses como nação. Até porque o Brasil não sabe o que é isso: ser uma nação.
Uma nação, que se preze como tal, estabelece valores que priorizam sua sociedade, seu território e sua soberania.
Na questão colocada – e mal colocada - quais deveriam ser as prioridades fundamentais: formação tecnológica sólida, de qualidade e amplamente disponível; diretrizes firmes para a busca de tecnologias competitivas de base e de ponta, em termos mundiais; níveis de valores vigentes em países desenvolvidos para remuneração de professores e de profissionais em todas as áreas, em especial as tecnológicas de ponta; ênfase na pesquisa tecnológica de grande qualificação, para competição em termos mundiais. Entre outras prioridades similares e/ou decorrentes.
Quando, no Brasil tivemos isso? Nunca! Quando poderíamos ter tido? Desde há muito tempo! Quando ainda poderemos ter? Com as políticas de subalternidade tradicionais e vigentes, responda você, caro(a) leitor(a)...
N.B.: A esse tipo de medida, a Folha de São Paulo – e seguramente toda a mídia dominante nacional – dão o maior apoio. Sendo para exploração e/ou dominação do país...
Brasil prepara plano para ampliar mão de obra estrangeira
Patrícia Campos Mello e Mariana Carneiro
Folha de São Paulo – UOL – 30-12-2012
O governo quer fazer do Brasil um país mais aberto a imigrantes estrangeiros do que nações como Canadá e Austrália, famosas por buscar ativamente esse tipo de mão de obra.
A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República vai propor em março uma série de medidas para elevar a entrada de mão de obra estrangeira qualificada no Brasil e aumentar a competitividade do país, informou à Folha Ricardo Paes de Barros, secretário de Ações Estratégicas da SAE.
Entre as propostas em estudo, adiantou Paes de Barros, está o fim da exigência de contrato de trabalho para conceder visto para profissionais altamente qualificados.
Um estrangeiro com um doutorado em engenharia no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), por exemplo, poderia emigrar para o Brasil sem um contrato de trabalho fechado e prospectar empregos aqui. Hoje, ele só consegue visto de trabalho quando já tem contrato.
LEIA MAIS

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Lei dos Meios: dois dezembros depois, nenhum avanço


Comentários/opinião
É óbvio que no Brasil não pode haver - e nem se faz necessária - uma Lei dos Meios. Aqui, quem manda na Comunicação, são os “inteiros”.  São contados nos dedos das mãos e nem precisa usar as duas...
Tenho informações de que os movimentos sociais, em especial as entidades ligadas ao setor de comunicações, apresentaram sugestões, as quais, pelo visto, tomaram o rumo de tantas outras: a gaveta. Na melhor das hipóteses.
Acho que deveria ser mudado o nome do ministério, porque a linha política é difícil, se não impossível.
Ao cabo de dois anos de governo Dilma, o Brasil, ao contrário de seus vizinhos sul-americanos, não avançou num um único mísero passo no caminho da democratização das comunicações. Como pode um governo democrático e popular, diante do tratamento parcial e não raro injusto que recebe dos meios, não ter tomado medidas concretas para democratizar ou, no mínimo, tornar mais plural o sistema de comunicação do país?

O artigo é de Marcos Dantas. A publicação é da Carta Maior de 28-12-2012.

Numa reunião em Brasília, em abril de 2011, diante de quase 20 lideranças do movimento pela democratização das comunicações, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, garantiu que "até dezembro" submeteria a consulta pública, o ante-projeto de uma nova Lei Geral de Comunicações, a nossa "Lei dos Meios". Dezembro de 2011 passou – e nada. Dezembro de 2012 acabou de passar, e nem se fala mais nisso.
É verdade que, com o tempo, o que seria um ante-projeto de Lei Geral, transformou-se em "perguntas" para um debate público. Não seria uma má solução. Politicamente, seria uma tentativa de obrigar os "his mater's voice" do oligopólio mediático a discutir conceitos, no lugar de tocarem o samba de uma nota só sobre uma fantasmagórica "censura". Mas nem isto aconteceu. Ao cabo de dois anos de governo Dilma e ministério Bernardo, o Brasil, ao contrário de seus vizinhos sul-americanos, não avançou num um único mísero passo no caminho da democratização das comunicações.
O atual sistema de comunicações que temos é um entulho autoritário que sobrevive após mais de 25 anos de vigência da atual Constituição democrática. Até 1964, nas grandes cidades brasileiras, um bom número de jornais de circulação e influência política similares disputavam os corações e mentes dos leitores. Se alguém fizer uma pesquisa na imprensa brasileira pré-64, perceberá sem dificuldade como ela era numerosa mas, sobretudo, diversificada: cada jornal, cada dia, trazia manchetes diferentes, destacava temas distintos, competia efetivamente pela preferência do leitor através do que poderíamos denominar, hoje em dia, "diferenciação do produto".

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Os trabalhadores que pararam o progresso


Comentários/opinião
As três matérias plotadas a seguir foram publicadas pela Agência Pública e divulgadas pelo IHU Notícias em 21-12-2012. Estou batizando o conjunto como a Trilogia do Madeira, o qual serve para muitas reflexões que, evidentemente, não cabem neste veículo de divulgação sintética das (des)conjunturas nacionais e do mundo. Mas dá o que pensar.
Entre outras reflexões, podemos colocar questões tais como: qual será, mesmo, o preço do progresso? Quantas vidas por R$ milhão podem ser sacrificadas? Na mesma unidade, quantas meninas devem ser prostituídas? Quantas famílias devem perder seu ganha-pão cotidiano de tantas gerações? Quantas árvores devem ser sacrificadas? Quantos peixes – “bagres”, no dizer de Lula – devem morrer? Quantos peixes devem deixar de nascer pela supressão das piracemas? Quantos locais históricos devem desaparecer? Quantas áreas fertilizadas nas enchentes - que eram naturais - devem ser submersas? Quantos Mwh devem deixar de ser consumidos na região que os produz para serem levados por milhares de km para locais onde o aumento do “progresso” já não se faz necessário? Quantos R$ bilhões em impostos devem ser gerados pela famigerada Lei Kandir nos locais de consumo e não nos de produção de energia?
Quantas perguntas mais, pertinentes ou “impertinentes” podem ser feitas? Mas acho que já chega.  O/a leitor/a pode adicionar as suas próprias.
Barbaridade!
Os trabalhadores que pararam o progresso
Já era quase meio-dia quando o goiano Francisco Martins Corrêa chamou o amigo e conterrâneo Paulo Henrique do Nascimento para almoçar. Os dois trabalhavam desde as seis da manhã derrubando árvores em área a ser alagada pela usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.
O sol estava escaldante, e Francisco tinha fome, queria parar. Paulo recebia um bônus ao final do mês por cada hectare desmatado, queria continuar. “Só mais um”, disse. Francisco insistiu: “Para com isso, Paulinho. Bora lá comer”. Mas não conseguiu dissuadir o amigo.
A caminho do refeitório, Francisco ouviu a árvore tombar seguida de um som estranho: a motosserra pulava sozinha no chão. Gritou o nome do amigo. Nada. Voltou correndo e encontrou Paulinho no chão, com a árvore caída sobre o pescoço. Com o coração disparado, Francisco usou a motosserra do amigo para cortar a árvore que o esmagava. Serrou de um lado, do outro e tirou o tronco de cima do corpo. “Já tava morto, a árvore quebrou o espinhaço dele”, lembra, ainda abalado.
A reportagem é de Ana Aranha e publicada no portal Agência Pública, 04-12-2012.
Paulo morreu em setembro. Foi a quinta morte este ano em decorrência das obras das usinas de Jirau Santo Antônio. As duas hidrelétricas em construção no rio Madeira são o carro-chefe do governo Dilma Rousseff para o aumento da geração de energia no país.
Embora o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) faça fiscalizações sistemáticas, as medidas de segurança são atropeladas pela pressa em terminar logo as obras. É essa a percepção do auditor Juscelino José Santos, da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Rondônia. Em ação fiscal logo depois do acidente que matou Paulo, a primeira ação da superintendência foi determinar o fim do sistema de pagamento por produtividade. “Essa é uma atividade cansativa, que exige grande aporte calórico. Ao se preocupar em produzir, o trabalhador se esquece de comer, beber, ignora a câimbra”, diz o auditor.
Além da construção da barragem no rio, o desmatamento é um dos setores que mais exige esforço físico e onde há mais acidentes. A Energia Sustentável do Brasil, consórcio de Jirau, terceiriza essas atividades a diversas empresas, entre elas a Fox Minas Construtora, que contratou Francisco Paulo.