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domingo, 8 de janeiro de 2012

EUA expulsa cônsul da Venezuela em Miami

A notícia abaixo foi publicada no jornal mexicano La Jornada deste domingo. Nas entrelinhas do último parágrafo, percebe-se o destaque para a evidente relação dessa atitude norte-americana com a atual visita do presidente iraniano a alguns países latino-americanos, a começar pela Venezuela. A respectiva notícia, do jornal espanhol El País, de 06/01/2012, também com tradução de minha autoria, foi postada no dia 06/01/2012 neste Blog.
EUA ordena expulsão da cônsul da Venezuela em Miami
La Jornada - México - 08-01-2012
AFP - Publicado: 08-01- 2012
“Os EUA declararam a Cônsul Geral da Venezuela em Miami, Livia Acosta Noguera, persona non grata e ordenaram sua deportação”, disse uma autoridade norte-americana neste domingo.
O funcionário, que pediu anonimato, disse que Lívia Acosta Noguera foi notificada da decisão na sexta-feira e lhe foi dado um prazo até terça-feira para deixar o país.
Acosta Noguera foi envolvida em um recente documentário da televisão Univisión, com um suposto complô iraniano para cometer ataques nos Estados Unidos, embora o funcionário diplomático não confirmasse à AFP o seu vinculo com a decisão.
A decisão dos EUA acontece justo quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad começa um giro  latino-americano, com uma primeira etapa em Caracas, neste domingo.

Reassentados por usina dependem de ajuda para sobreviver

Às vésperas de a usina de Santo Antônio começar a girar sua primeira turbina em Porto Velho (RO), ribeirinhos retirados das margens do rio Madeira ainda dependem da ajuda financeira da concessionária para sobreviver
A reportagem é de Gustavo Hennermann e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 08-01-2012.
Publicado pelo IHU Notícias de 08-01-2012
Cerca de 270 famílias foram removidas para dar lugar ao reservatório de água da hidrelétrica. Elas se mantinham com a pesca artesanal e a agricultura e, agora, enfrentam dificuldades para produzir nos assentamentos.
No assentamento rural Vila Teotônio - um dos seis construídos pela Santo Antônio Energia -, os pescadores reclamam que ficaram sem fonte de renda depois de peixes e turistas "sumirem".
Desde o fim de 2010, esse assentamento começou a receber 40 famílias que moravam numa vila próxima a uma cachoeira que hoje está coberta pela água.
O grupo foi instalado na beira do reservatório, que começou a encher em setembro e seguirá elevando o nível da água até o fim de janeiro.
"Eu saía de barco e, na volta, enchia os congeladores de peixe. Hoje, gasto 80 litros de combustível dando volta nesse lago e não trago 20 kg", diz Pedro Fonseca da Cruz, 59.

Privataria em MG: a guerra dos emboabas

por Rodrigo Vianna
Postado no Blog Escrivinhador, 03/01/2012
 A “Privataria Tucana” chegou a Minas. E dessa vez não foi pelos blogs nem pelas redes sociais. Amaury Ribeiro Jr – autor do livro que conta os caminhos e descaminhos do dinheiro das privatizações, com foco na atuação de gente muito próxima a José Serra  - passou uma hora no estúdio da Radio Itatiaia, de Belo Horizonte. Foi entrevistado, nesses primeiros dias de 2012, no programa de Eduardo Costa – um apresentador muito popular.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Apenas ilusão

Esse incrível descompasso vem sendo tratado de modo muito tímido e até medroso. É como se estivéssemos andando em um terreno lodoso, com olhos e ouvidos atentos apenas no entorno agradável: a floresta, os pássaros, os frutos, as flores,  as borboletas. Ou seja, sem olhar para baixo, com medo de desfazer o encanto. Ou como as bailarinas clássicas vestidas com seus “tutus du ballet”, participando de um lindo espetáculo, sem poder prestar atenção nos próprios pés, dentro das sapatilhas, cobertos de ataduras, resultado dos maus tratos que a profissão lhes produz.
IHU Notícias - 07-01-2012
"A sexta economia do mundo produziu em 2011 US$ 2,5 bilhões. No entanto, se dividimos esse valor pela população, encontramos que a renda per capita brasileira é apenas a 77º no ranking mundial, sugerindo que o padrão de vida médio no país ainda é significativamente inferior ao padrão europeu", constata Flávio Comim, professor de economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e da Universidade de Cambridge, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, 07-01-2012.
Segundo ele, "a ideia de ter um padrão europeu seduz, mas também pode nos afastar da verdade sobre onde estamos e quem somos".
Apenas ilusão
A imagem do Brasil como sexta economia do mundo é apenas uma ilusão para o cidadão comum.
Somos ainda um país muito desigual, no qual milhões vivem indignamente. Nosso desenvolvimento humano tem andado a passos lentos e, em vez de encararmos os fatos, preferimos uma atitude na linha do "me engana que eu gosto" quando nos deparamos com algumas estatísticas feitas "para inglês ver", com pouca materialidade no dia a dia de milhões de brasileiros.
A sexta economia do mundo produziu em 2011 US$ 2,5 bilhões. No entanto, se dividimos esse valor pela população, encontramos que a renda per capita brasileira é apenas a 77º no ranking mundial, sugerindo que o padrão de vida médio no país ainda é significativamente inferior ao padrão europeu.

As crises e seus ciclos


Luiz Carlos Correa Soares
Desde o século 19, pensadores como Karl Marx (1818 - 1883), o economista francês Clement Juglar (1819-1905), o economista marxista russo Nicolai Kondraitieff (1892-1938), o economista austríaco Joseph Schumpeter (1883-1950), têm se dedicado ao estudo das crises do sistema capitalista. E bem assim, muitos outros, como o nosso Ignácio Rangel (1914 –1994) e, mais recentemente, o canadense Iam Gordon.
É notório – e os estudos de Kondraitieff e Gordon demonstram isso -, há fortíssima correlação entre as crises e as guerras, tanto as grandes guerras como as "menores", principalmente aquelas em que os EUA são participantes destacados. A razão é óbvia: as guerras, em todos os tempos, sempre serviram para consolidar o poder econômico e político dos dominantes. No período do predomínio do capitalismo as guerras têm tido uma dupla finalidade adicional: obter vantagens diretas com a venda de instrumentos de guerra cada vez mais sofisticados e - após a destruição realizada -, com a reconstrução dos escombros!
Dentre os fatos econômicos e políticos relevantes ocorridos no período que vai desde o inicio do século 18 até os dias de hoje - conforme estudo que se encontra mais detalhado no meu livro Capitalismo Terminal, recentemente publicado – ocorreram várias crises, sendo que a primeira crise econômica e financeira se deu em 1720, na Inglaterra, produzida por uma onda especulativa que decretou a quebra de uma companhia marítima e do banco Law.
A segunda ocorreu um século e meio depois, de 1873 a 1896, cujo estopim foi o colapso da Bolsa de Viena e produziu a primeira grande depressão. As consequências principais foram falências de bancos europeus e norte-americanos, o desemprego, a pobreza, a miséria, isto é, o de sempre!
Daí em diante, os períodos entre as crises foram se estreitando cada vez mais. Assim, tivemos a crise de 1882, na França - ainda dentro da grande depressão de 1873/96 – com a quebra do Banco Unión Gènérale e queda nas Bolsas de Valores de Paris e Lion.
Em 1907, após vinte e cinco anos, empréstimos sem limitação produziram um efeito dominó com queda de ações e até ameaça de falência da Prefeitura de Nova York.
Depois de vinte e dois anos, em 1929, ocorreu uma grande onda especulativa que produziu a crise mais analisada e comentada até hoje. Suas consequências se estenderam pela década de 1930, inclusive o início da 2ª Guerra Mundial.
Em 1973, com a criação da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ocorreu um grande e rápido aumento dos preços do petróleo e a chamada crise do petróleo.
Em 1981, uma crise iniciada nos EUA repercutiu fortemente na América Latina, inclusive no Brasil. Decorridos seis anos, em 1987, gastos excessivos do governo americano produziram uma bolha especulativa que produziu quedas recordes nas bolsas americanas, com reflexos no mundo todo.
Em 1994 deu-se a crise do México, a qual teve como maior conseqüência a "compra" daquele país e a expropriação de suas reservas petrolíferas. Em 1997, foi o caso da chamada crise asiática, repicada pela crise da Russia, em 1998.
Em 2000 estourou a bolha internética, com a crise das chamadas "empresas ponto com". No ano seguinte aconteceu o terrível onze-de-setembro. Em 2004 foi a vez da crise argentina, ainda como decorrência dos desmandos do governo Ménen.
A crise de 2008, apesar de facilmente previsível, teve gravidade, profundidade e abrangência bem maiores do que as últimas precedentes. Aliás, perdura até hoje, aos "solavancos" e sempre ameaçadora, como está mais do que evidenciado neste momento.
Pela seqüência acima, constata-se que no período de dois séculos e meio, isto é, até meados dos anos 1970, ocorreram seis crises. No período subsequente, de apenas três décadas, denominado neoliberal, ocorreram oito!
Assim, a periodicidade das crises do capital é cada vez menor. Pergunta-se: quando elas se tornarão mensais, semanais ou diárias? Quem se atreve a garantir que isso é impossível?
Para completar esta análise, vamos examinar brevemente algumas teorias a respeito dos ciclos, cujo exemplo físico, clássico, é o movimento pendular.
Quanto aos ciclos econômicos, algumas teorias têm mostrado que, independentemente de suas dimensões e épocas, eles obedecem a uma seqüência de seis etapas que podem ser assim sintetizadas: 1. transição do velho para o novo; 2. infância do ciclo; 3. maturidade do ciclo; 4. auto-questionamento e ajustes; 5. envelhecimento do ciclo; 6. transição para o "novo" novo.
Pela análise aqui procedida, tudo indica que o sistema capitalista está entre as fases 5 e 6, ou seja, caminhando rapidamente para o final de sua existência. E, de modo concomitante, está sendo gestado um "novo novo" modelo realmente humano, social, ecológico, político e econômico. Nessa ordem de prevalências. Todavia, ele está ainda em estado utópico (do grego 'u topos' = fora de lugar). Em outras palavras, ele já existe sem estar totalmente visível. E apenas pode ser perceptível a olhares muito atentos, destituídos das viseiras impostas pelo status quo ideológico vigorante no nosso cotidiano.
Nesse sentido, todo o esforço que vem sendo feito para manter o "doente na UTI", sob a esperança de uma última tentativa de "ressuscitação", tem tudo para ser inútil. Por quê?
Porque é possível enganar algumas pessoas por muito tempo ou várias pessoas por algum tempo, porém jamais todas as pessoas todo o tempo. Além disso, o "quádruplo processo matastásico e septicêmico" que o capitalismo auto-desenvolveu – dominação, exploração, ganância e exclusão desenfreadas – fatalmente o levará à morte.
E que isso ocorra já, agora, deve ser desejo e meta de todos os explorados que habitam o nosso Planeta Terra! "Explorados, uni-vos"...!

Um mundo de torturadores: a crueldade dos Estados

Dos 194 Estados da ONU, 100 praticam a tortura, seja para obter informações ou confissões, seja como metodologia para fazer reinar o terror. Síria, Egito, Argélia, Chile, Argentina, Brasil, Cuba, Estados Unidos, França, Espanha, China, Vietnã, Índia ou Rússia: não há continente que esteja livre dessa barbárie. Esta é a conclusão do informe “Um mundo de torturadores”, publicado na França. 
> LEIA MAIS http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19306&boletim_id=1089&componente_id=17365| Direitos Humanos | 30/12/2011

Cúpula do Mercosul. Intenso debate

Em uma reunião da Cúpula do Mercosul, realizada em Montevidéu e marcada pela morte do subsecretário de Comércio Exterior da Argentina, Ivan Heyn, os presidentes chegaram a acordos em matéria tarifária. Cristina Kirchner assumiu a liderança pro tempore pedindo uma resposta comum à crise.
A reportagem é de Julián Bruschtein e publicado pelo Página/12, 21-12-2011. A tradução é de Luiz Carlos Correa Soares, colaborador do Cepat."Há um novo mundo, mas não há novas idéias", enfatizou a presidente Cristina Kirchner, parafraseando o lema da última reunião do G-20, em seu discurso na 42ª Cúpula do Mercosul, ao assumir a presidência pro tempore do bloco, função que estava com o uruguaio José Mujica. Em um dia ofuscado pela morte do subsecretário de Comércio Exterior argentino, Ivan Heyn, o encerramento da Cúpula dos presidentes do Mercosul foi agitado e com muito debate entre os mandatários.
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Ahmadinejad se reunirá domingo com Chávez em Caracas

O presidente do Irã não passará pelo Brasil. Por que será? O Brasil é o maior país e mais importante economicamente da América do Sul; tem um dos maiores potenciais de petróleo do mundo; um dos maiores produtores de petróleo; esteve ao lado do Irã nas escaramuças com os EUA no final do governo Lula; etcétera e tal.
Será porque não tem um povo nem um governo com “tendências” socialistas ou, pelo menos, não aderentes, domesticados e subalternos ao domínio norte-americano? Para Mahmud, Dilma é diferente de Lula (abstraída a questão de gênero?... rssrsrsrsrsrsrs... 
Em essência,  é porque não somos "vizinhos críticos dos EUA". Para pensar em casa...

O líder iraniano fará um giro de cinco dias pela Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador.
Notícia publicada no jornal espanhol El País - 06/01/2012
O Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, confirmou hoje a visita a Caracas do Presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, no próximo domingo em uma viagem de cinco dias do representante iraniano pela  América Latina.
De acordo com Chávez, Ahmadinejad fará a viagem, apesar de que "infelizmente as tensões no Golfo Pérsico vêm crescendo nas últimas horas".
O chefe de Estado venezuelano tem criticado as pressões dos Estados Unidos quanto ao envio de porta-aviões ao Estrito de Ormuz (1), águas compartilhadas por Irã e Omã, porque o regime iraniano ameaçou bloquear essa vital passagem do abastecimento mundial de petróleo.
O porta-voz da casa branca, Jay Carney, definiu o giro de Ahmadineyad pela Venezuela, Nicarágua, Cuba e Equador, como uma tentativa de Teerã para fortalecer alianças com vizinhos críticos dos EUA.
A porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, declarou que Washington está transmitindo sua preocupação para estes países, porém salientou que "todos os países sabem muito, muito bem, qual a posição dos Estados Unidos com relação ao Irã".
O representante iraniano, com estreitas relações na América Latina (2), também assistirá à posse do presidente  da Nicarágua, Daniel Ortega, ato que Chávez disse não ter decidido ainda a respeito de sua presença.
No final de dezembro de 2011, o presidente venezuelano já tinha anunciado na televisão VTV a visita do seu homólogo iraniano no início de 2012. Ahmadinejad pensou viajar a Caracas em setembro passaso, mas a viagem foi adiada em razão da saúde de Chávez.
A última vista de Ahmadineyad a Chaves foi em setembro de 2009, enquanto que  Chávez, um dos principais aliados do Irã na América Latina, foi aTeerã em outubro de 2010.
Nota – Ver referências nos links:

Crescimento ou decrescimento


Luiz Carlos Correa Soares
Na maioria dos países em desenvolvimento, os processos de crescimento
econômico são mais ou menos episódicos, normalmente cíclicos e de curta duração, tipo uma gangorra que sobe e desce ou algo que cresce e corta. No Brasil, os processos em gangorra são típicos porque não temos um projeto de nação e nem de desenvolvimento. Apenas tem acontecido alguns planos isolados, tais como o "50 anos em 5", de JK ou os dois PNDs da ditadura de 1964. E, agora, programas governamentais, tipo os PACs e outras tentativas de recuperação do período anterior, de estagnação. A análise destes programas não cabe no escopo deste texto.
De qualquer modo, é indispensável colocar sempre a questão básica de qual desenvolvimento estamos falando. E outras questões também fundamentais: para quê, como, quando, por quanto tempo, quanto custa. E, por fim, a pergunta mais importante – e que normalmente não é feita – quem se apropria dos seus resultados?
Todavia, tanto no centro como na periferia do capitalismo, a palavra de ordem é "crescer e desenvolver para consumir!" Ou vice-versa, o que produz o mesmo resultado: o acúmulo de mais riquezas, sempre nas mãos de poucos. E são estimulados o consumismo e o hiperconsumismo, de formas tão absurdas que beiram a níveis de estupidez e imbecilidade.
Esse modelo, que está aumentando a riqueza de alguns e o endividamento e/ou a pobreza e a miséria de bilhões – e exaurindo o planeta -, construiu com êxito alguns mitos, que têm sido assimilados pelo senso comum de enormes contingentes das sociedades submissas aos princípios capitalistas. Como resultado, vemos um furor para comprar coisas das quais não se tem necessidade nem recursos para adquiri-las. O "way of life" norte-americano, um estilo ideologicamente induzido e propagandeado em filmes, músicas e na mídia, passou a ser copiado no mundo todo. Como resultado, há um furor consumista de coisas das quais não se tem necessidade nem recursos para adquiri-las.
Esse comportamento tem sido extremamente útil para os objetivos da economia americana, em primeiro lugar, mas também para as de outros países do capitalismo central e até dos não desenvolvidos. Porque, mesmo nestes, há enclaves de poder aquisitivo ao nível dos países ricos. Assim, o hiperconsumismo tem contribuído fortemente para o aumento da exploração dos recursos naturais em proporções preocupantes, como decorrência de uma devastação sem similares em qualquer outra fase da História. E paga-se a conta das tragédias criadas pelos especuladores e seu incontrolável e falido sistema econômico e financeiro.
Vários estudos advertem para processos de esgotamento de reservas conhecidas de vários minerais mais utilizados no mundo, inclusive em setores estratégicos e em muitas tecnologias de ponta, os quais. Exemplos: platina, alumínio, níquel, chumbo, estanho, cobre, antimônio, tântalo, índio, zinco, ouro, prata, cromo, urânio, entre outros.
Felizmente, hoje já existem correntes de pensamento que estão indo na contra-mão do processo em marcha. Exemplos: a proposta do ecossocialismo, defendida por muitos pensadores como Michel Löwy, sociólogo e filósofo brasileiro que vive na França; o ecoantropocentrismo, que defende a premissa do compartilhamento equilibrado da Natureza e a supressão da prerrogativa auto-estabelecida pelo Homem como um ser superior, dominador e predador de todas as demais espécies vivas do planeta e de tudo o que nele existe.
Outros estudiosos defendem o decrescimento, tais como o economista francês Serge Latouche, que em novembro passado esteve no Brasil debatendo esse tema. Em 2002, em Paris, uma importante conferência já havia estabelecido a consigna: "desfaça o desenvolvimento, refaça o mundo". Na conferência paralela de Copenhague a palavra de ordem foi "mudar o sistema [capitalista] não o clima". A Conferência sobre Decrescimento Econômico, realizada em Barcelona em março de 2011, reuniu mais de 500 pesquisadores e ativistas de vários países da Europa e da América para discutir o decrescimento.
O tema do decrescimento coloca questionamentos radicais no âmago do atual modelo capitalista ao afirmar que "a crise do começo do terceiro milênio não pode ser resolvida pelos caminhos adotados desde o século 19", conforme foi fortemente destacado na conferência.
Uma das questões mais fundamentais a considerar é a finitude do planeta. Conforme estudiosos do tema, a Terra foi constituída há mais ou menos 4,5 bilhões de anos com os elementos físico-químicos básicos que o planeta contém até hoje. De lá para cá, aconteceram algumas mutações, inclusive o surgimento da vida como a conhecemos. Além disso, o planeta, de tempos em tempos, costuma dar umas "sacudidelas em suas pulgas". Porém nenhuma aconteceu com suas "pulgas" mais incômodas, os humanos. Ainda não...
De qualquer modo, está evidenciado que o consumismo atingiu níveis preocupantes e é impossível elevar o consumo dos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos para níveis dos desenvolvidos.
Tudo isso nos leva a uma grande encruzilhada nos caminhos do futuro. Se o objetivo for continuar no rumo atual, faltará planeta; se for para elevar o desenvolvimento de todo o mundo ao nível dos ricos, também faltará planeta; se optar pela redução do consumo dos ricos e não for possível construir processos de conscientização e convivência, certamente existirão reações ferozes, inclusive com revoluções ou guerras.
Fica a sensação – para mim, convicção – de que o decrescimento é solução óbvia, racional e essencial para a equalização e o equilíbrio do uso da Natureza bem como para o convívio das sociedades e das espécies, sob novos parâmetros civilizatórios. Contudo, somente será possível como componente de um embate maior e inevitável com o atual sistema capitalista, porque são processos auto-excludentes e, portanto, absolutamente incompatíveis e inconciliáveis.

Entrega de grande parcela do pré-sal para o Eike Batista

Como bem diz o velho ditado “entre o céu e a terra há coisas que a nossa vã filosofia não alcança”. Ou a acaciana expressão, atribuída ao Barão de Itararé: “há mais coisas no ar que os aviões de carreira”. E tem situações que demonstram muito bem que achar que estamos bem informados será sempre uma presunção exagerada. Isso, porque sempre há coisas praticamente impossíveis de saber, tais como os segredos de alcova. Ou os segredos da coca-cola, ou os segredos comerciais, políticos, dos enriquecimentos rápidos e rasteiros (em muitos sentidos...). E assim por diante.
Vejamos um “belo” exemplo de coisas difíceis de conhecer por inteiro, muito atual e muito terrivel, conforme divulgação da Tribuna da Imprensa, em 02/12/2011.
Agradecendo ao comentarista Mario Assis, que nos enviou a matéria, publicamos hoje a segunda parte da importantíssima entrevista do professor Ildo Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, concedida a Pedro Estevam da Rocha Pomar e Thaís Carrança, da revista da Associação dos Docentes da USP (Adusp).
Considerado um dos maiores especialistas em energia do país, ex-diretor da Petrobras no primeiro governo Lula, Sauer conta como foi descoberto o Pré-Sal e denuncia o lobby feito por José Dirceu para entregar a Eike Batista a maior parte das reservas.
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