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segunda-feira, 28 de julho de 2014

Xinga o movimento sem-teto, mas acha bonito doar cobertor na rua

Comentário/opinião
O Sakamoto põe, profundamente, o dedo em algumas feridas de várias naturezas: sociais, econômicas, políticas, culturais etc.
Unifico todas elas em uma grande gangrena que a tudo perpassa: a falta de formação e informação quanto à realidade histórica brasileira. A idade dessa ausência tem cinco séculos. Todavia, tem sido agravada crescentemente por conta de brutais forças internas e externas, com suas contínuas ações de alienação, dominação e exploração de uma imensa porção da sociedade brasileira. Trata-se de um circulo vicioso infame: não compreende porque é dominada e é dominada porque não compreende a realidade que a cerca.
Este, entretanto, é um tema sobre o qual não dá para dissertar em dois parágrafos.
Xinga o movimento sem-teto, mas acha bonito doar cobertor na rua
"Você acha que apenas doar agasalhos e cobertores resolve o problema de quem está passando frio do lado de fora e que a vida vai mudar com a somatória de pequenas ações de caridade coloridas e cintilantes? Pede mais educação, mais saúde, mais segurança e, ao mesmo tempo, quer menos impostos e menos Estado? Desculpe, você é muito desinformado. Ou, pior: patético". O comentário é de Leonardo Sakamoto, jornalista, em artigo no seu blog, 26-07-2014.
Veja o artigo reproduzido no IHU Notícias de hoje,  29-07-2014.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Nó górdio e crise do capitalismo

Comentários/opinião
A matéria a seguir complementa e amplia o conteúdo da matéria plotada anteriormente, nesta minha nova jornada para retomar as atividades deste meu blog, também contida no IHU Notícias de hoje.
Creio serem desnecessários maiores comentários.

Nó górdio e crise do capitalismo

Uma crise global assola o mundo que conhecemos. A crise da energia e da alimentação, a degradação do meio ambiente, a recessão e a crise financeira, a perda de legitimidade da democracia e o esvaziamento dos valores de nossa cultura são sintomas das limitações do capitalismo para reproduzir e legitimar a estrutura de relações de poder a nível global. A desintegração dessa estrutura, baseada em uma determinada forma de produção, apropriação e distribuição do excedente econômico a nível mundial, emergiu na cena política internacional através da crise financeira de 2008. Ignorar a índole sistêmica desta crise implica obscurecer os obstáculos que enfrentamos para conseguir uma maior inclusão social e integração nacional.
O artigo é de Mónica Peralta Ramos, socióloga, autora de “La economía política argentina. Poder y clases sociales”, publicado por Página/12, 15-07-2014. A tradução é do Cepat.


A idolatria do PIB – IHU Notícias 21-07-2014

POIS É... 
APÓS GRANDE RECESSO NAS POSTAGENS NESTE BLOG, RETORNO COM A ESPERANÇA DE PODER DAR EFETIVIDADE A ESSE PROPÓSITO.
VEREMOS O QUE OCORRERÁ, NA SEQUÊNCIA.

Comentários/opinião
Bela análise. Concordo integralmente.
O quê fazer? Não sei. Só sei que alguém ou algo deve morrer. O sistema capitalista, por exemplo. A ganância desenfreada é outro exemplo, decorrente do anterior e/ou acelerador do processo. Na verdade, morrerão juntos, abraçadinhos, como convém à nossa libertação e à sobrevivência do planeta.
A idolatria do PIB – IHU Notícias 21-07-2014
"Em vez de concentrar esforços na melhoria do transporte coletivo, optou-se por medidas de estímulo à venda de automóveis: isenções tributárias, crédito farto e gasolina subsidiada. Entre 2003 e 2013, a frota de carros particulares passou de 23,6 milhões para 43,4 milhões de veículos", escreve Eduardo Giannetti, economista, em artigo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, 18-07-2014.
Segundo o economista, "a idolatria do PIB tem causado graves prejuízos ao bem-estar humano".
Eis o artigo.
O PIB é uma invenção recente. A ideia de medir a variação do valor monetário dos bens e serviços produzidos a cada ano surgiu no período entre guerras, mas foi só nos anos 50 que os órgãos oficiais passaram a publicar dados de PIBpara os diferentes países. Adam Smith, Ricardo, Marx e Mill jamais foram instados a prever o PIB do ano ou trimestre seguintes.
De lá para cá, o culto do PIB como métrica de sucesso ou fracasso das nações virou uma espécie de religião do nosso tempo. O crescimento é o objetivo supremo em nome do qual governos são eleitos ou rejeitados nas urnas e um antropólogo marciano poderia até imaginar que a sigla PIB nomeia a nossa divindade-mor na vida pública enquanto o consumo dá sentido à existência na esfera privada.
Além do passivo ambiental, a idolatria do PIB tem causado graves prejuízos ao bem-estar humano. Dois exemplos recentes ilustram isso.
Uma pesquisa pioneira, publicada no periódico "Proceedings of the National Academy of Sciences" em 2013, comparou populações sujeitas a diferentes níveis de poluição do ar nas regiões norte e sul da China e avaliou o seu impacto de longo prazo (décadas) sobre a saúde (doenças cardiovasculares e câncer de pulmão).

O estudo mostra que uma elevação de 100 microgramas de matéria particulada por metro cúbico de ar corresponde a uma redução de três anos na expectativa média de vida ao nascer. Como a diferença entre o norte e o sul da China é de 185 microgramas por metro cúbico, isso significou uma perda de cinco anos e meio de vida per capita para os habitantes do norte em relação ao sul.

Some-se a isso o fato de que 10% da terra cultivável na China está contaminada por poluentes químicos e metais pesados, e que metade da água suprida nas cidades é imprópria para banho, e se verá que o espetáculo do PIBchinês, como um Otelo sem Iago, oculta um elemento crucial da trama.
No Brasil, o afã de acelerar o crescimento no curto prazo levou o governo a tomar um atalho. Em vez de concentrar esforços na melhoria do transporte coletivo, optou-se por medidas de estímulo à venda de automóveis: isenções tributárias, crédito farto e gasolina subsidiada. Entre 2003 e 2013, a frota de carros particulares passou de 23,6 milhões para 43,4 milhões de veículos.

O resultado do erro pode ser medido em tempo de vida. Um cidadão que gaste três horas por dia em média para ir e vir do seu local de trabalho ou estudo passará cerca de quatro anos e meio da sua vida encalacrado no inferno urbano das nossas metrópoles. O PIB silencia, mas o bem-estar acusa.
Pior que crescer pouco ou crescer mal, só mesmo uma combinação judiciosa das duas coisas. E não é que o Brasil tem conseguido!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Conselho Nacional de Política Energética: Onde está a sociedade civil?

Comentários/opinião
Mudo e amplio a pergunta do texto para: “onde estão a democracia e a transparência”?
A conclusão é aparentemente óbvia: se a sociedade civil deve ser convidada e não o é, é porque sua presença não é desejada nem desejável. (O “aparentemente” está aí apenas para disfarçar minha “radicalidade”...). 
Na verdade, se não é desejada nem desejável, é porque não pode dar opinião nem dificultar as decisões nem sequer saber o que está sendo tratado e decidido.
Isso parece ser de uma lógica acaciana sem contrapontos. "Aparentemente"...
A nota está divulgada no IHU Notícias de hoje, 18-12-2013, e está assinada por 41 organizações e instituições sociais e ambientais locais, regionais, nacionais e até internacionais.
Conselho Nacional de Política Energética: Onde está a sociedade civil?
"o CNPE tem menosprezado propostas inovadoras da sociedade civil e de empreendedores do setor privado em áreas estratégicas, como a eficiência energética e a conservação de energia; o aproveitamento do potencial quase infinito da energia solar, por meio da inovação tecnológica e o fomento a cadeias produtivas nacionais; as propostas de políticas para estimular, em bases sustentáveis e com justiça social, a ampliação de escala de outras fontes renováveis não convencionais, como a eólica, a biomassa e o movimento natural das águas sem barramentos, assim como a descentralização da produção e do consumo, evitando riscos e custos da produção centralizada, em mãos de grandes empresas", denuncia a nota de movimentos sociais e ambientais, publicada ontem, dia 17-12-2013. A nota é endereçada ao Governo e à Sociedade Brasileira.
Segundo a nota, "não é legítimo, nem lícito que o CNPE tome decisões estratégicas sobre a política energética sem abrir o diálogo e sem contar com a contribuição da sociedade civil.  De fato, a atual política energética está sendo imposta à sociedade, em nome de necessidades definidas a partir de critérios discutíveis, favorecendo as “necessidades” de determinados grupos econômicos".

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Brasil tem mais engenheiros que médicos, aponta pesquisa do Ipea

Comentários/opinião
E agora, José? O governo se esforça e se esbofa para atender os oráculos empresariais e midiáticos, baseados em estatísticas lidas de forma burra e fora do contexto, que tentam mostrar que há falta de profissionais nas áreas tecnológicas. A principal burrice – mas não a única – é tentar, de modo tendencioso, a generalização de situações que são pontuais, setoriais e/ou temporais específicas. Mesmo estas tem origem na mediocridade dos diagnósticos ou na ausência de planejamento com visão de projeto de nação ou em ambas. Aliás, um projeto de nação é coisa absolutamente inexistente no nosso país desde sempre.
E agora, José, onde ainda vão arranjar razões para embaçar compromissos políticos e de outras naturezas, já assumidos e justificar o injustificável? Ou seja, a importação de técnicos de outras terras onde o desemprego assusta muito os outrora inventores e agora administradores do caos econômico e social vigente por aí, nesse mundinho neoliberal.
Ressalte-se que não é de hoje que estudos do Ipea – afiançados por estudos de entidades sindicais sérias - já vêm chamando a atenção para a constatação que ora se confirma.
E não será em demasia sempre repicar que no Brasil não faltam engenheiros, mas sim salários dignos e decentes para esses profissionais, o que os afasta da profissão.
Brasil tem mais engenheiros que médicos, aponta pesquisa do Ipea
A falta de médicos em determinadas regiões do País foi constatada na pesquisa Cidades em Movimento: Desafios e Políticas Públicas, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Feita com base no Censo 2010, mostra que, proporcionalmente, em relação ao número de habitantes, o País tem mais engenheiros que médicos.
A reportagem foi publicada pela Agência Brasil, 02-12-2013. [Reproduzida no IHU Notícias de 04-12-2013]. Grifo nosso.
Além de apresentar mapas com as regiões mais carentes de médicos, o estudo revela que para cada engenheiro a proporção é 267,62 habitantes. Já para cada médico, são 701,61 pessoas na média nacional. A proporção é menor no Maranhão, no Amapá e no Pará, onde são, respectivamente, um profissional de saúde para cada grupo de 2,3 mil, 1,9 mil e 1,5 mil pessoas.
"São quase três vezes mais engenheiros que médicos no País", reforçou o presidente do Ipea, Marcelo Neri, ao divulgar dados antecipados da pesquisa no Rio de Janeiro. "A relação é um médico no Maranhão para cada nove médicos em São Paulo."
No Maranhão, no Piauí e em Roraima, os engenheiros também são mais escassos que nos demais Estados do País, sendo um para cada grupo de 1,2 mil, 1,1 mil e mil pessoas. Coincidentemente, por outro lado, os Estados com mais engenheiros e médicos são São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal.
Segundo a pesquisa, as profissões foram quantificadas por serem fundamentais ao desenvolvimento do País e foco de políticas públicas federais como os programas Mais Médicos, do Ministério da Saúde, e o Ciência Sem Fronteiras, coordenado em conjunto pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e da Educação." São profissões relevantes para o crescimento econômico", justificou um dos responsáveis pelo estudo, Rogério Boueri.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

BNDES, para exportação

Comentários/opinião
É, tudo parece ir no rumo direto e reto das facilitações para quem delas não necessita. Isso, em termos de recursos públicos, porque já dispõe de facilidades oferecidas pelo capital nacional e internacional.
Entendo que está na hora de consolidar o retorno ao passado e retirar do nome do banco o “S”, inadvertida e espertamente ali justaposto para significar “Social”. Porque está claro que o banco nada mais tem de social a não ser os recursos do FAT, ou seja, dos trabalhadores brasileiros.
Traduzindo: mais uma desfaçatez e uma pouca-vergonha, algo impossível de ser chamado de outra forma.
BNDES, para exportação
Em nome da internacionalização, financiamentos do BNDES a empreiteiras brasileiras no exterior cresceram 1185%, em dez anos, segundo estudo do Ibase. Odebrecht é líder.
A reportagem é de Bruno Fonseca e Jessica Mota e publicada pela Agência Pública, 28-11-2013.
A partir de 2003, com a mudança de seu estatuto social, o BNDES passou a apoiar investimentos diretos a empresas brasileiras no exterior. Mas foi só em 2005 – quando se aprovaram as normas de financiamento direto internacional – que o banco se tornou um agente importante no processo de internacionalização de empresas. A seguir foram abertos os primeiros escritórios fora do país.
O primeiro, em agosto de 2009 em Montevidéu, no Uruguai, tinha o objetivo de “identificar, estruturar e facilitar negócios de interesse do Brasil na América do Sul, em especial nos países do Mercosul”. O segundo escritório internacional foi instalado três meses depois em Londres, como uma empresa subsidiária, com autonomia para realizar operações financeiras. O banco ainda se prepara para abrir um terceiro escritório em Joanesburgo, na África do Sul, com o objetivo de prospectar oportunidades de negócios para empresas brasileiras naquele continente.
O apoio do BNDES a exportações e linhas de internacionalização de empresas se dá por diversos produtos e programas. Os produtos são: o BNDES Exim (Pré e Pós-Embarque), o BNDES Finem (com as linhas de apoio à internacionalização de empresas e de aquisição de bens de capital) e o BNDES Automático. Cada uma dessas formas de apoio tem mecanismos e objetivos específicos, mas as linhas de financiamento podem ser combinadas entre si a critério do banco.
De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas  (Ibase), na área internacional de exportação – na qual o banco financia o envio de bens já existentes ou de serviços de uma empresa brasileira a outro país (Exim Pós-Embarque) – cerca de 87% dos investimentos, nos últimos dez anos, foram para infraestrutura na América Latina e para compra de bens de capital. Em 2012, o banco totalizou US$ 2,17 bilhões em desembolsos nessa pós-embarque. O contrato se dá diretamente com a empresa brasileira, ou com a empresa importadora de outro país – mas com a mediação da companhia brasileira.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Pontos e contra-pontos: Nem tão limpa, nem tão barata

Comentários/opinião
Saio satisfeito do II Fórum Mundial de Desenvolvimento Econômico Local, realizado em Foz do Iguaçu com a presença de mais de 4.000 participantes de mais 50 países do mundo todo, excelentes relatos de experiências exitosas, interessantes debates e muitas ideias animadoras quanto à importância da organização da sociedade nas definições e execuções do desenvolvimento econômico, social e humano.
Anote-se que o evento foi encerrado com a presença do ex-presidente Lula, o qual pronunciou emotivo e aplaudidíssimo discurso sobre os avanços sociais e econômicos havidos no seu governo. Os positivos e inegáveis foram destacados, é obvio; os nem tanto, não foram destacados. Isso também é óbvio...
Saio do evento ao seu término, chego ao hotel e me deparo com a matéria alocada abaixo, expressa no IHU Notícias de hoje.
Uma conclusão nada confortável e aparentemente absurda: quantos pontos e contra-pontos existem assim como verdades, meias-verdades e até inverdades no que se diz e no que se faz e no que não se faz? E também no que não se diz mas se faz. Dá muito no que pensar.
Vejam a matéria anexa e as matérias nela referidas, especialmente a REPORTAGEM que fala das hidrelétricas do Rio Uruguai, no Sul do Brasil, um real exemplo do que ocorre em muitos – se não todos – os empreendimentos energéticos que foram e estão sendo implementados “neste país”. Para usar a expressão que se tornou “marca registrada” do ex-presidente Lula.
Nem tão limpa, nem tão barata
Reportagem cinematográfica produzida nas hidrelétricas do Rio Uruguai questiona custos reais da energia hidrelétrica.
A reportagem é do Coletivo Catarse, publicada no portal da Agência Pública, 30-10-2013.
“A população brasileira precisa estar informada de que a energia limpa e barata de hidrelétricas não existe”, alerta o professor da USP Célio Bermann. Percorremos os caminhos do rio Uruguai, divisa dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para apurar a questão. O resultado desse trabalho é a reportagem cinematográfica “Barragem”.
A maior bacia hidrográfica da Região Sul do Brasil está cravejada de usinas hidrelétricas. O que era um complexo sistema de rios em corredeiras, hoje é uma sequência, quase que contínua, de lagos largos e profundos. E justamente nos últimos trechos em território nacional que ainda preservam características originais do ambiente, o governo federal quer autorizar a instalação de novos empreendimentos. Para isso não mede consequências, e passa por cima de direitos sociais, econômicos e ambientais.
Sempre com a posição de que se trata de um recurso natural sustentável, o planejamento das concessões de geração de energia são decididos pelo conceito daquela que consegue vender a tarifa pelo menor preço.”E se chega no menor preço pelo custo do investimento, a energia que cada fonte produz e o custo do dinheiro que tu pegas para realizar o projeto”, prega Ronaldo Custódio, diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, ao defender as hidrelétricas como a que melhor responde a essas exigências.
Acontece que um rio não é uma calha, um dreno, mas um organismo conectado por um sistema de fluxos à montante e à jusante. Para o  coordenador do estudo de impacto integrado da Bacia do Rio Uruguai (FRAG/Rio), Rafael Cruz, a primeira pergunta ao se pensar em barrar um rio é qual a capacidade de suporte para usinas hidrelétricas. “Quando se faz a contabilidade tradicional de uma usina hidrelétrica, e não se verifica a fragilidade do rio devido aos impactos ambientais, pode parecer limpa”, critica.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Exército ocupa frente de hotel onde ocorrerá leilão do pré-sal

Comentários/opinião
A notícia é de ontem, como se percebe. Infelizmente, o previsto foi realizado porque hoje já estão ocorrendo episódios como os que se têm visto desde junho. E certamente, outros ocorrerão na sequência. (Escrevo estas notas antes da abertura do leilão).
As perguntas que não querem calar só podem ser: que pais é este,  o qual se aferra tão duramente ao propósito de fazer doações do seu patrimônio até com o sangue de seu povo?  Não se conforma apenas em doar o seu suor? Quando começará a doação de vidas? Hoje?
Já vimos esse filme em outros tempos! Vamos insistir em repetí-los?
Exército ocupa frente de hotel onde ocorrerá leilão do pré-sal
As tropas do Exército já estão posicionadas em frente ao Hotel Windsor Barra, no Posto 4 da Avenida Lúcio Costa, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, onde nesta segunda-feira, a partir das 14h, ocorrerá o primeiro leilão de Libra, do pré-sal da Bacia de Santos, atendendo às novas regras do modelo de partilha.
A reportagem é de Douglas Corrêa e publicada pela Agência Brasil, 20-10-2013.
Os militares ocupam a entrada do hotel desde a meia-noite de domingo, equipados com escudos e armas não letais. A tropa está preparada para agir em casos de manifestações, que estão sendo convocadas pelos petroleiros em greve e pelos movimentos sociais que apoiam a paralisação, contrários ao leilão da camada do pré-sal. Os petroleiros estão parados, por tempo indeterminado, desde quinta-feira (17).
Os black blocs, grupos que se vestem de negro e usam máscaras contra gás, presentes em todas as manifestações, estão convocando pelas redes sociais para um ato unificado amanhã, a partir das 10h, na praia da Barra da Tijuca, entre a Ponte Lúcio Costa e a Praça do Ó. O texto diz que o ato unificado é "Um milhão contra o leilão, a opressão e pela educação". Os black blocs também estão marcando uma concentração, às 17h, na Candelária, para um ato ao longo da Avenida Rio Branco, com término na Cinelândia.
A segurança na região da Barra da Tijuca, onde ocorrerá o leilão, será feita pelo Exército, com o reforço da Marinha, da Força Nacional e da Polícia Militar. O patrulhamento ostensivo começou na madrugada de domingo, na faixa do litoral e nas vias do entorno do Hotel Windsor. A área de atuação das forças de segurança está delimitada pelas avenidas Lúcio Costa, Érico Verissímo, Armando Lombardi, Afonso Arinos de Melo Franco e o Canal de Marapendi.
O efetivo total empregado na operação é formado por cerca de 1.100 homens, entre militares e policiais federais e estaduais, policiais civis, guardas municipais e funcionários públicos. Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) pede aos motoristas que evitem a região entre hoje e amanhã, por causa de retenções no tráfego nas vias próximas ao hotel.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pré-sal e o embate geopolítico estratégico. A maior privatização da história política do Brasil. Entrevista especial com Ildo Sauer

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Indubitavelmente, tenho enorme admiração e respeito pelo professor Ildo Sauer, um permanente estudioso das questões energéticas no Brasil, não apenas na questão do petróleo. Também tenho admiração e respeito pelos seus posicionamentos, sempre sob prioridade absoluta dos interesses do país.
Assim, não é desmedida a minha concordância com a gravidade das suas observações e denúncias a respeito do tema Libra, não apenas no que se refere à questão do leilão – o qual por si só já é um crime de lesa-pátria – mas por toda a burrice estratégica e a subserviência, que a “doação” do pré-sal está desnudando.  É algo incrível que isso não esteja sendo percebido de modo muito claro! Não pode ser por burrice! Só pode ser por má-intenção. E, portanto, trata-se de um verdadeiro crime hediondo.
Veja-se abaixo a parte final de entrevista e leia-se o inteiro teor no endereço anexo, do IHU Notícias de 02-10-2013.
Pré-sal e o embate geopolítico estratégico. A maior privatização da história política do Brasil. Entrevista especial com Ildo Sauer
“Como disse, Libra, na minha estimativa, vai custar entre 60 e 80 bilhões de dólares. Além disso, o governo precisa construir a cadeia produtiva brasileira. Infelizmente o governo não se planeja, não expande a formação de recursos humanos, a expansão da capacidade industrial brasileira, das áreas de serviços. Não adianta criar essa situação que temos hoje: as empresas prometem conteúdo nacional, não cumprem, a ANP as multa e acabou! Falta planejamento no país em todos os níveis: educação, saúde, infraestrutura, nas cadeias produtivas da área de energias, etc. O Brasil é um país que opera no dia a dia no improviso. E isso ficou claro com a decisão de tentar queimar o Campo de Libra para resolver um pequeno problema econômico das contas externas e das dívidas públicas. De maneira que o problema financeiro é um mito que inventaram; não falta dinheiro para quem tem reserva de petróleo certificada. O nível de endividamento da Petrobras é facilmente resolvível mediante um modelo diferente de negócio, porque a lei permite. A lei não é boa, ela poderia ser melhor, mas tem suficiente espaço para fazer uma política que garanta o interesse nacional e o interesse público”.

sábado, 5 de outubro de 2013

Casas têm mais TVs e menos rede de esgoto em 11 Estados do Brasil

Comentários/opinião
Veja-se como os valores mudam, em especial, no que se refere à qualidade e às condições de vida. Coisas que eram fundamentais deixaram de ser e passaram sua prevalência para coisas que eram de menor importância ou até dispensáveis.
As perguntas que devem ser feitas são, por exemplo: isso veio para ficar ou se trata de mais uma onda que dá e passa? Temos que, realmente, nos habituarmos a esses valores da “modernidade” ou podemos aguardar que as atuais irracionalidades sejam entendidas como tal e ocorram novos processos de “racionalização humana”?
Casas com TV, DVD, computador, carro e moto, mas sem esgoto e coleta de lixo.
Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE, mostram que, enquanto no país avança a presença nas residências de bens duráveis, como eletrônicos, boa parte dos Estados fica paralisada - ou até regride - em serviços como água, esgoto e coleta de lixo.
De 2011 para 2012, 14 Estados tiveram redução no percentual de moradias com esses serviços (em 11 a rede de esgoto não teve nenhum avanço); apenas dois recuaram em bens duráveis. Na média nacional, houve crescimento ou estabilidade, dependendo do item.
Na prática, essa queda mostra que o aumento do número de moradias não é acompanhado no mesmo ritmo pelas políticas públicas.
Um dos maiores entraves ainda é a rede de esgoto. Ao todo, 11 Estados recuaram no acesso a este serviço. No Piauí, o percentual de casas com acesso à rede foi de 4% para 2,8% --queda de 29%.
Oito Estados também recuaram no atendimento de rede de água, enquanto 12 pouco avançaram em coleta de lixo.